palavras?…

Não quero imagens, nem cores, aqui, hoje.
Há dias, em que nem as palavras nos ajudam
a encontrar o equilíbrio que procuramos
e sempre nos foge, apesar da procura.
Restam-me as dúvidas, sempre:
O certo, o errado, o verdadeiro, o falso…
…e as palavras?
Fica a necessidade
de procura e reflexão.
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“Abraço recheado de violentíssima ternura”

 
Do “Abraço recheado de violentíssima ternura”… a minha gratidão profunda, à Sofia e à Rita…
…pela sua manifestação de carinho, pela profusão das palavras, mas, acima de tudo, pela congruência que a Sofia transpira e que é para mim um reforço e exemplo do que é importante nesta vida.
 
Para relembrar, fica o grandioso poema que me enviou…
…para que nunca o esqueça e, com ele possa continuar a lutar pelo que acredito, como acredito…
 
Nesse “Abraço recheado de violentíssima ternura”, OBRIGADA, SOFIA… obrigada, Ritinha!
 
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“Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
… Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.”
 
Sophia de Mello Breyner Andresen
 
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Ah, Mar!…

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Ah, mar… força genuína…
emudeces  a minha fala amorfa
exaltas em mim a força bruta
verdade pura…
natureza!!! 
 
texto e fotos, Isabel Maia Jácome
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Duas maçãs apenas…

duas_macas(Que me perdoem os meus amigos que vêm ao blog, o facto de ter publicado este texto ontem no facebook e não aqui…
Confesso que era tarde na noite… e escrevi diretamente… apesar das correções necessárias a que não resisto, evidentemente, no gozo de escrever emoções, de as retocar aqui e ali, mesmo que sem muito tempo, ou a conta-lo em jeito decrescente.
Mas fui muito para além da hora, ficando, ficando por ali, agarrada naquela espécie de frenesi…
… e assim, noite dentro, rendi-me à preguiça, claro, de abrir o blog, de clicar mais aqui e ali…
Mas partilho hoje neste espaço. Mera questão de fidelidade ao “blogue”… a mim mesma, de certa forma, mas acima de tudo, a quem aqui me acompanha, me dá força e a quem sou grata pela partilha do caminho.
Pronto!…que me perdoem, meus amigos!!!… Obrigada.
Aqui vai o texto…)
 
Hoje, numa vulgar ida às compras a um supermercado perto de casa, à porta, duas miúdas.
Não sei que idade teriam. Sete, nove anos?
Confesso que, já sendo conhecidas por estarem por ali frequentemente pedindo moedas, em tom …rápido, monocórdico, insistente e estrangeirado, levam da parte de quase todos, uma espécie de indiferença.
Quanto a mim, sei que me revolta vê-las e não poder fazer nada de concreto que mude aquela situação, aquele hábito… e entristeço-me por me sentir invadida por dúvidas, cuja resposta ainda não ousei procurar.
Habitualmente não dou. As moedas, claro. E na busca de saber se têm fome, pergunto se querem pão, tendo já há algum tempo oferecido uma sandes a uma delas.
Não é a primeira vez que me questiono para que usam o dinheiro, a veracidade da história que contam de forma repetitiva e decorada… seis irmãos em dificuldade… e, face às negas, acentuam um ar de miséria desenvergonhada,  palavras em calão para quem não se apieda, entrecortadas com corridas e risos de graça ou escárnio, numa manifestação de revolta ou imediata distração, gestos que, afinal vêm de crianças criadas à solta e que nem devem conhecer escola.
 
Mas hoje, na pressa, já noite, face à habitual investida e tendo já visto dois sacos de pão encostados à parede, fechados, à espera, dei-lhes eu mesma essa espécie de corrida.
Não. Não dou moedas! … e segui caminho, apressada nas compras que se fazia tarde.
Comigo, o meu filho mais novo, já homem.
 
À saída do supermercado, parámos junto à maquina multibanco, com os três sacos cheios do essencial…
De novo, a investida das miúdas, impertinentes, rápidas e insistentes nas moedas que não queria dar-lhes… Repeti com voz de desagrado que não dava moedas…
… e a mais pequena,  cujo loirito do cabelo fazia sobressair o sujo, perguntou, mantendo o tom rápido, mais apressado que  a minha aparente pressa na pressa de ser ainda atendida: – e comida, dá?
 
Parei por dentro, apesar de parada. Senti um baque. Aqueles baques que estão lá, mas que remetemos para os gestos de defesa a que nos habituamos, não acreditando em muito do que já acontece, ou reação escudo, à impossibilidade de colmatar todas as lacunas, todos os males, todas as dificuldades que sabemos aí em cada esquina, tantas vezes ali mesmo ao nosso lado…
… e no baque, atrapalhada com a minha inventada e imposta indiferença, com o meu ar durão assertivo, do “não dar moedas”, olhei a pequena… olhei-a como se o tempo parasse…. cresceu-me outro rebaque de dúvida… ainda balbuciei, já trémula por dentro que não tinha nada preparado nem de jeito para lhe dar…
 
A pequenita,  mantendo a pressa da conquista que periclitava, nesse desconfiar ou saber da experiencia de quem precisa de qualquer maneira e de qualquer coisa, perguntou á queima roupa.  E maçãs? Tem maçãs???
 
De facto, dos sacos cheios, pão à vista… e essencialmente legumes e fruta variada.
Maçãs, nada que se visse… mas, bem lá no fundo de algum deles,  sabia eu que estava um saco delas, fresquinhas, aparentemente estaladiças!
Não resisti. Maçãs. Podiam ser maçãs. E num gesto imediato, desatei a procurar o pequeno saco delas, para o rasgar e tirar uma para cada uma.
 
Agarraram-nas. Olhei mais intensamente para as crianças e ousei lembrar-lhes, acreditando que fugiriam de seguida de mim, obtida a conquista, que deveriam lavá-las antes de as comerem… e qual não foi o meu espanto quando me perguntou a loirita: – Porque é que se têm que lavar as maçãs?
 
De facto estavam brilhantes e vermelhas, quase imaculadas de brilho…  e continuei a ousar dizer, num gesto mais próximo, apontando a maçã e depois a sua barriguita, que as cascas, parecendo limpinhas poderiam ter “bichinhos” que lhes fizesse  mal à barriga.
Não me gozaram, nem fugiram, nem correram…
…e foi daí que, estranhamente me subiu um soluço incontrolado ao vê-las irem à casa de banho ali perto lavar as maças que começaram a comer com evidente regalo!…
 
Fiquei tão perturbada que, ao seu regresso quase imediato, acrescentei à dádiva, um dos pacotes de queijo fatiado, para que usassem por exemplo no pão dos sacos que permaneciam silenciosamente encostados à parede, à espera… e acrescentei ainda dois iogurtes que pudessem comer ali mesmo, se quisessem.
Enquanto isso passou um jovem pouco mais velho que o meu filho e que lhes entregou espontaneamente e com um sorriso meigo e divertido, um pack com dois apetitosos queques…
 
Com toda esta agitação e comoção  interior foi o meu filho que tez as operações do multibanco…
…por dentro ecoavam-me estranhamente, as corridas e os risos das miúdas, regressados, entrecortados pelo crraccc das dentadas nas maçãs que nunca pensei poderem constituir semelhante delícia…
 
Duas maças apenas… um nó na garganta… um desespero de constatação e revolta pela sociedade em que vivemos e que, seja de que forma for, temos mesmo que mudar. Temos!!!
 
Duas maçãs apenas… há tanto para fazermos e um vazio de esperança de conseguirmos o essencial…
Isabel Maia Jácome
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Um texto para reflectir (José Tolentino Mendonça)

 
Menos de dois dólares
A  “pegada ecológica” diz muito acerca de nós: quantos recursos (e que  recursos) hipotecamos para construir o que é o nosso estilo de vida, quais as  necessidades que consideramos vitais e como as priorizamos, que tráfico de bens  e serviços temos de colocar em funcionamento para realizar o nosso sonho (ou a  nossa ilusão) de bem-estar. Os indicadores coincidem no seguinte: as sociedades  avançadas geram uma inflação permanente de necessidades, indiferentes aos  desequilIbrios que causam, e que são, em grande medida, não só de  sustentabilidade ambiental mas de sustentabilidade espiritual.
A verdade  é que cada um de nós traz vazios por preencher, carências e interrogações  submersas, desejos calcados que procura compensar da forma mais imediata. Não é  propriamente de coisas que precisamos, mas, à falta de melhor, condescendemos. À falta  desse amor que nem sempre conseguimos, desse caminho mais aberto e solitário  que evitamos percorrer, à falta dessa  reconciliação connosco mesmo e com os outros que continuamente adiamos… O  consumo desenfreado não é outra coisa que uma bolsa de compensações. As coisas  que se adquirem são, obviamente, mais do que coisas: são promessas que nos  acenam, são protestos impotentes por uma existência que não nos satisfaz, são  ficções do nosso teatro interno. Os centros comerciais apresentam-se como  pequenos paraísos, indolores e instantâneos. Infelizmente, de curtíssima  duração também.
Li  há dias, e impressionou-me muito, que, quando Gandhi morreu, os bens materiais  que deixou valiam menos de dois dólares. Voltei a ler para verificar se me  tinha enganado: menos de dois dólares. Os bens espirituais e civis que legou ao  futuro tinham, porém, uma dimensão incalculável. O que nos enfraquece não é, de  facto, a escassez, mas a sobreabundância; não é a indagação, mas o ruído de mil  respostas fáceis que conflituam; não é a frugalidade, mas sim o desperdício. O  que nos enfraquece é não termos escutado até ao fim o que está por detrás da  fome e da sede, da nossa urgência e da nossa fadiga, do atordoamento, dos medos  ou da abstenção.
Há  aquela cena do filme de Steven Spielberg “A Lista de Schindler”. O ator  Liam Neeson representa o papel do industrial alemão que salvou a vida a mais de  mil judeus. Na cena final, os resgatados oferecem-lhe, expressando a sua  gratidão, uma aliança com uma frase do Talrnude. «Aquele que salva uma vida,  salva o mundo inteiro». E a resposta de Oskar Schindler é inesquecível: «Podia ter  feito mais. Não sei, eu… Podia ter salvo mais. Desperdicei tanto dinheiro com  futilidades. Não fazes ideia. Se soubesses… Não fiz o suficiente. Este carro…  Porque fiquei eu com ele? Alguém o teria comprado. Teria salvo dez pessoas,  mais dez pessoas. Este alfinete! Duas pessoas! É de  ouro. Podia ter salvo mais duas pessoas. Por isto… eu poderia ter salvo mais pessoas…  e não o fiz». Estamos condenados a uma dor assim?
Mas  há finais felizes. Lembro-me dos meses que antecederam a partida do poeta  Eugénio de Andrade. Ele ficou internado longo tempo no Hospital de Santo  António, no Porto. Nessa altura, passei por lá algumas vezes a visitá-lo e só  me recordo de ouvi-lo pedir uma coisa: que lhe trouxessem duas maçãs. Não para  comer, obviamente, mas para ficar a olhá-las da cama, para sentir a cor, a  textura, o perfume, para distinguir a sua forma no silêncio, para amá-las como  se ama uma pintura de Cézanne. Acho que duas maçãs custam menos de dois  dólares, não é verdade?
 
José Tolentino Mendonça In Expresso, 4.1.2014 05.01.14      
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Novo Ano!!!…

Novo 2011 - até 9.1 012Este ano, mais do que nunca peço a Deus que me ajude e me dê forças para poder ajudar os outros e a mim mesma…
 
…que me ajude, acima de tudo, a ter forças para crescer e não me deixar minar pelas dificuldades, medo, cansaço, cepticismo… pelas aparências!…
 
Preciso tanto continuar a acreditar e amar a vida e os outros…
 
Claro que gostaria, neste ano, de retomar alguma proximidade com a escrita. Mas cada vez compreendo melhor que, embora continue a ser tão importante para mim, não é prioridade.
 
Considero que, “Dar”, esse “dar” que preenche o dia a dia, procurando que seja despojado e verdadeiro que faça realmente bem aos outros, mesmo que por vezes pareça esgotar-nos, deve vir primeiro que a escrita…
…a escrita exige tempo, tempo que provavelmente esses outros precisam que se lhes dê…
 
Ao longo deste ano que passou, cada vez mais me fui apercebendo de que, ao invés da escrita, ou primeiro que ela, considero cada vez mais importantes os gestos, o tempo de mão na mão, olhos nos olhos, o tempo de sorrisos e lágrimas, de correria que seja, muitas das vezes,  mas em tudo isso, de verdadeira intenção e concretização… e não só de sonhos e desejos bem intencionados, verdadeiros também, mas que não chegam a poder ser praticados senão na nossa alma e na alma do papel… e isto estende-se a tanto na vida!…
…por isso, depois, só depois, então, a escrita: como reflexão, como produto, como resumo de, ou dessa concretização.
 
Estarei errada?
 
Sei que de alguma forma estou errada sim… e que me perdoe quem leio e que tanto me inspira e tem inspirado em tantos momentos da vida, essa vida que é tão preenchida também pelo que nos é dito, pela reflexão partilhada desses tantos que nos ajudam nesta nossa caminhada e nos fazem sentir menos sozinhos, ou que nos catapultam as ideias e nos elevam o espírito e a alma até não sei que dimensões e a quem sou profundamente grata!!!…
Que me perdoem porque a escrita pode ser, é muito mais do que aquilo a que neste momento estou a parecer reduzi-la… mas é o que preciso dizer a mim mesma, também, nesta fase de vida, leve ela o tempo que for preciso!…
 
…porque, no estabelecimento de prioridades e opções necessárias no percurso da nossa caminhada, sabemos que não podemos ter tudo. Temos encruzilhadas, diferentes troços de caminho…
… no percurso da nossa caminhada temos que fazer constantemente escolhas, opções… e elas implicam sempre ganhos e perdas…
… e quando escolhemos um caminho, nunca sabemos exactamente o que o outro nos ofereceria!!!
 
…mas essas escolhas, essas opções, são isso mesmo:” Escolha”, “Opção”! Não sacrifício, no sentido pejorativo que a palavra “sacrifício” possa conter.
 
É esta a minha “Escolha”, a minha “Opção”, o meu Dever, a minha Expressão de Amor…
 
…mas sei que, de alguma forma, vou escrever! Estou a escrever!!!
 
Obrigada, a quem me tem dado apoio e força – nas múltiplas direcções, nas escolhas necessárias do momento, nas partilhas a que não resisto….
 
Obrigada a quem acredita e me permite acreditar, ainda – na vida, nas pessoas… seja de que forma for!
 
Abraço a todos, cheio de ternura, carinho, amor… e um excelente 2014!… sem promessas e sem tempos.
 
Um momento de cada vez!
 
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SONO… arrebatador e intempestivo!!!

… tenho andado numa roda viva, não posso nem ouvir o telefone e, à noite, depois de comer, mesmo a esforçar um filminho a fazer companhia ao meu marido, adormeço redonda!

Ontem, ainda crédula que pudesse manter-me acordada por algum tempo, pus-me a fazer doce de abóbora.
Nem imaginam!… uma trabalheira a cortar tudo aos pedacinhos bem pequeninos, para fazer como a minha mãe fazia… de forma bem prendada…

Coloquei ao lume, esperei que fervesse para abrandar a chama, avisei o meu marido, não fosse o diabo tecê-las e eu adormecesse apesar de tudo…

…e zás, adormeci mesmo!

Devo confessar que acordei várias vezes. Não era um sono nem leve, nem profundo. Era sono e basta!… e até vi um bom pedaço do filme, “entornei” umas lagrimitas da praxe, “enfatisadoras” do propósito da história, reforço de intensão de ver alguma coisa que comigo mexesse, arredando a opressão do cansaço e sono… depois, ainda me dei ao luxo de conversar filosófica e apaixonadamente sobre a história terminada… quando, arrepiada pelo frio que começou a fazer sentir-se, fui finalmente à cozinha para aquecer água para o famoso e indispensável “saquinho” quente… que o sono teimava… quando abro a porta.

Levei com uma lufada de fumo e cheiro intenso a açúcar queimado… estava tudo estorricado, seco, pegajoso, elástico… um cheiro irrespirável que fazia arder olhos e pulmões… snif!…

Ainda hoje, mesmo depois de uma mais profunda limpeza à cozinha, “tresanda” por todo o lado!…

… não ando a resistir mesmo: SONO, SONO e mais SONO, quando paro ao final do dia e merecidamente me sento no sofá…

…não há capacidade para escrever, ler… manter os olhos abertos, sequer,  por um serão que já apetece, neste Outono que avança a olhos vistos de forma amena e simpática, não fora ser noite demasiado cedo e dia, antes de ter vontade de acordar… porque o sono, quando resolve instalar-se, faz lembrar tsé-tsé… furiosa e intempestiva a picar-nos a alma que se aninha na vontade de pedir desculpa à vida e ao mundo por tamanha manifestação de suposta preguiça!!!

… Acho que tenho que lhe dar o crédito que pede, não vá vingar-se, emotiva, incendiando-me a casa, ou instalando-se-me enquanto guio!…

Vou ver se durmo a sério, mais cedo hoje!!!

Mas não consigo ir já, juro!!!

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