Por Lisboa

 

Por Lisboa…
Ao ler a Zilda Cardoso no seu post sobre a cidade do Porto senti-me a acompanhá-la através da sua descrição…
…e que bom foi acompanhá-la nesse passeio, imaginar o que descreve e pensar que hoje, em muitos momentos do dia me aconteceu algo semelhante enquanto acelerei passo, do Largo do Rato à Rua de S. Marçal, para depois subir S. Bento, de novo até ao Rato.
Ah, a minha Lisboa, tão a mesma e tão diferente… a mesma na luz diferente a cada dia, mas a luz de Lisboa, tão especial e tão própria… única!
…e enquanto andava, acelerada no tempo contado da hora de almoço, em que aproveitei para dar um beijinho aos meus pais, lembrei-me de tanta coisa… senti tanto… estive tão proxima de tanta gente estando sozinha enquanto caminhava…
…fez-me bem.

Amanhã, quem sabe, repito a proeza acelerada mas encantada, porque o tempo acaba na correria que terei de inventar, para estar na rodoviária às 18.30h para regressar a Leiria…

Pensei na Zilda Cardoso, sim, sobretudo quando passei no Marquês, de autocarro e olhei os jacarandás, verdes, frondosos, lindos mesmo sem flor…
…pensei no Manuel Noronha de Andrade e na oportunidade, uma vez mais perdida de lhe dar um olá ao vivo e a cores, assim como na Teresa Ferreira, com quem nem tive coragem de falar, certa como estava da minha incapacidade de fazer esticar o tempo…
…pensei em alguns dos meus grandes amigos que por aqui permanecem e que gostaria de ver mais vezes… alguns deles, que sabem bem quem são, para mim tão importantes!….
…pensei no meu amigo Tó Zé Ideias, na sua permanência alheia desde o desastre e na fé que mantemos todos, de que regresse… pensei o quanto tinha pensado ir vê-lo ao Hospital e o quanto gorei essa expectativa, pela impossibilidade condicionada por este mesmo tempo que não estica e que nos obriga a fazer muitoi menos do que tantas vezes desejamos…
… e pensei nos meus filhos, na sua vida, tão perto e tão longe…
…no meu marido, estranhamente longe, o que me parece sempre estranho, mas tão perto nas recordações da nossa juventude… tão perto nas partilhas de cada momento que incondicionadamente faço mesmo no meu silêncio…

Foi uma viagem no tempo em muitos sentidos. Tempo passado, tempo presente… futuro de certo modo, um pouco também…

Amanhã… amanhã quero aproveitar ainda melhor o azul do céu de Lisboa… os verdes, mais verdes olhados de encontro a esse azul…
…e acentuar as escapadelas de olhar curioso às galerias da Rua da Escola Politécnica, ao movimento renovado do Principe Real… e ao projecto arquitectado de, na próxima vinda a esta minha/nossa terra, trazer o meu marido pela mão, proibindo-nos o carro que só nos stressa e limita a visão…

Obrigada APDP, pela formação e pela obrigatoriedade de vir a Lisboa mesmo em trabalho! Está a ser uma belíssima formação e o tempo a ser bem aproveitado.

Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , . ligação permanente.

8 respostas a Por Lisboa

  1. É tão agradável poder fazer o de que se gosta e fazê-lo.. Fico feliz por si, Isabel… que me merece tanto carinho! O que acontece comigo em relação ao Porto e a Lisboa é que o Porto é um lugar de infância e de juventude e de maturidade onde tudo de bom me tem acontecido. Esqueço o mau como se nunca tivesse acontecido. É aqui que gosto de viver.
    Mas aprecio muito Lisboa como um lugar de recreio, de passeio, de sol e de coisas bonitas que revejo a cada passo com prazer e visito com alegria.
    Visito a cidade:o filho,os amigos,os jacarandás e as outras belezas que me emocionam. Possa a Isabel fazê-lo também com frequência.

    • Querida Zilda
      Que feliz fico de lê-la aqui, de a sentir neste espaço a que cada vez parece que venho menos, mas onde ultimamente me apetece vir de novo, embora ainda não me tenha organizado para ter tempo de fazê-lo.
      Sabe tão bem esta partilha!…
      …e Lisboa, Zilda é a cidade a que regresso sempre… é a cidade onde nasci, cresci, namorei, casei, onde nasceu ainda, a minha filha mais velha… onde ainda vivem os meus pais, sogra, e agora os meus dois filhos…
      …assim, mesmo “de passagem” e por poucos dias é uma espécie viagem especial de regresso… e enquanto caminho pelos lugares que me são familiares da infância, juventude e início de adultez, comovo-me, lembro-me mais de mim e do tempo que passou… como se me apercebesse melhor duma espécie de todo… como se, sem esses lugares, me sentisse menos consciênte de quem sou… o fruto da evolução de vivências e espaços e tempos…
      Tolice?
      Acredito na importância de viver o presente… mas que mal tem recordar e nessas recordações encontrar um pedaço bem maior de nós?
      … os olhos com que me revejo, permitem ver-me melhor hoje… e são formas diferentes de ver, claro…
      Quem sou hoje distorce a verdade do momento de décadas atrás?… ou vê apenas com outra experiência e transforma a verdade, porque a verdade, verdade, afinal é mutável com o próprio tempo… será assim, Zilda???
      …será, por isso, recordar, um momento de vivência de presente também?
      …um momento de consciência, prazeroso mesmo nas recordações mais nostálgicas, mesmo quando possa haver a consciência de que nessas ocasiões podemos resvalar um pouco na realidade que por vezes me pergunto qual é…
      …mas foi tão bom!!! Relembrar criando. Imaginando o que é difícil com os olhos… imaginando essa soma de nós, dos que connosco cresceram e as alterações que o tempo operou, não só em nós, mas nos espaços, tão diferentes, seja porque envelhecidos e degradados, seja porque foram restruturados, renovados, recriados… e alguns deles absolutamente incríveis!
      Quero ter tempo para ir lá espiolhar pormenores… ver o que mudou com mais tempo…
      …no entanto hoje, confesso foi bem diferente de ontem e muito menos empolganten e prazeroso, confesso. Dia de greve em Lisboa faz-me lembrar também alguns dos motivos que nos levaram aos 29 anos a querer sair de lá e procurar um canto mais sossegado para criar filhos… e sorrio, à escolha e à vida e à aceitação de cada tempo, como um tempo de razão para cada escolha, para cada passo.
      Estou verborreica. Pronto. E muito feliz de a sentir aqui.
      Obrigada… pelo seu carinho e presença, muito para além do que possa dizer.
      Sempre,
      Isabel

  2. Vicente diz:

    Olá Isabel,
    Um bom dia de formação. Quando voltar não deixe de me avisar pois arranjarei um programa giro para conhecer Lisboa sob outro prisma. Mistérios que só desvendarei quando isso acontecer:-)
    Um beijinho amigo
    Vicente aka Manuel

    • Olá Manuel…
      … depois de responder à Zilda e esperando que a resposta se estenda a si também, acrescento que terei todo o gosto de combinar esse momento de “surpresa”… porque a minha Lisboa está realmente diferente e quando vou ao fim de semana, acabo por ocupar o tempo nas múltiplas capelinhas familiares e de amigos, o que faz sentido e nos dá prazer, mas não justifica o desmazê-lo de não nos impormos a obrigatoriedade de deixar o carro estacionado algures e voltar a andar a pé pela cidade… ou de autocarro, eléctrico… vê-se e sente-se muito mais… e são viagens mais do que pela cidade. São viagens dentro e para lá de nós mesmos.
      Abraço muito amigo, Vicente aka Manuel…
      …A formação foi mesmo muito boa… mas hoje, o dia não deu para rigorosamente mais nada.
      Já estou de regresso a Leiria.
      Sempre,
      Isabel
      Obrigada pela sua prsença sempre!!!

  3. E acabámos por não falar… Aguardei um novo toque teu e fiquei toda aborrecida por não ter largado os tachos e lume quando tinha dado para ligares. Mas foi bom ouvir-te, mesmo que só por instantes. E é bom saber que te fez bem esta ida a Lisboa, saber da luz que te envolveu na companhia das tuas recordações. Saber-me contigo, também. Um grande beijinho

    • Querida Teresa
      …Claro que estás comigo, muito mais do que possas imaginar…
      …mas nem sempre são as palavras o mais importante, embora reconheça que falar, demonstrar, “estar com” é mesmo muito importante.
      Não chega “Dizer-se Amigo”. É preciso “Ser-se Amigo”!… mas acredito que podemos “sê-lo” profundamente, gostar profundamente de alguém e passarmos mesmo muito tempo sem se estar com essa pessoa… por vezes até muito tempo sem se criar a oportunidade de lhe falarmos… e é pena… mas não é razão para deixarmos de sentir, de acreditar, de permanecer e “sentir permanecer” essa pessoa em nós!…
      Perdoa se os nossos caminhos se têm descruzado… a distância não ajuda, mas não é tudo.
      Brevemente conseguiremos colmatar esta lacuna!!!
      Obrigada por seres quem és e como és… para mim uma “Amiga especial” que guardo na minha companhia e com quem partilho muito mais do que na realidade transmito ou mostro.
      Um abraço bem forte…
      Sempre,
      Isabel

  4. Vicente diz:

    Olá Isabel,
    Poema de Augusto Gil com imensa musicalidade e beleza…já não há disto!
    Noiva:

    Tive noticias hoje a teu respeito:
    «Vae ser pedida. Casa qualquer dia».
    E o coração tranquillo no meu peito
    –Continuou a bater como batia…

    Surpreso duma tal serenidade,
    Todo eu, intimamente, me sondava:
    Pois nem ciume? Nem sequer saudade?!
    –E nem ciumes, nem saudade achava…

    Saudades, não; que o teu amor antigo
    Guardam-no as cinzas (neste coração)
    Como em Pompeia aquelles grãos de trigo
    Que após centenas d’annos deram pão…

    Saudades! Mas de quê?! Pois não sei eu
    A lei antiga como o proprio mundo
    De que o prazer mal chega, já morreu,
    E só a dôr nas almas cava fundo?

    Causei-te longas horas d’amargura,
    Não consegues voltar a ser feliz;
    A chaga que te abri não terá cura,
    E se curar–lá fica a cicatriz.

    Á luz dum juramento que trahiste
    Tu has de vêr-me toda a vida pois.
    Ergueste-o a Deus num dia amargo e triste
    E Deus casou-nos esse dia, aos dois…

    Ciumes tambem não, por te venderes.
    Desgraçadinha! Antes te houvesses dado;
    Não descerias tanto entre as mulheres,
    Seria mais humano o teu peccado.

    Porém, embora a tua falta aponte,
    P’ra mim és a que foste (ou que eu suppuz);
    O sol desapparece no horisonte
    –E a gente vê-o ainda a dar-nos luz…

    Póde a desgraça erguer em frente a mim
    Altas montanhas d’elevados cumes.
    O sol do amôr doiral-as-ha, e assim,
    Vendo-o tão alto, não terei ciumes.

    Ciumes! Elle é que hade tel-os, quando,
    Em claras noites de luar silente,
    Ouvir vibrar alguma voz, cantando
    Os versos que te fiz devotamente.

    Versos para te ungirem os ouvidos
    E os labios d’anemica e de santa,
    Tão pobres, tão ingenuos, tão sentidos,
    Que o povo humilde os acolheu e os canta.

    Então, se te olhar bem, logo adivinha…
    Logo sombriamente se convence
    De que a tua alma se fundiu na minha
    –E apenas o teu corpo lhe pertence.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s