“Carta” apetecida ao meu amigo Manuel, “Vicente mais ou menos…”!!! (I)

Querido Manuel

Parto desta ideia. Mais uma, agora, mesmo que possa parecer tola, uma vez que a começo retirando alguns excertos do que verborreicamente lhe tenho escrito nos últimos dias no “Facebook”, no seu blog…

Escrever-lhe aqui, também, porque não? Cartas a amigos , começando por si que me fez sentir a ideia, enquanto discorria e verbalizava o que há muito pretendia escrever e que, por preguiça talvez, ía mantendo amorfo e pardacento no meu espírito, apenas pelo facto de sentir apenas.

Catadupa!

Confrontada com o “estar aqui de novo”, ultrapassadas por hoje as dificuldades inerentes à preguiça que confessei, “de abrir o meu  blogue neste meu computador que me é novo, sendo um velhido do meu filho mais novo… computador  em que não tenho um mínimo de destreza que me torne acessível a consequência da vontade, ou da reacção… sorrio, em vez de rir como há pouco!… Malvada preguiça a que me submeto!

“Treinando” então a não excessiva pressa e considerando a escrita em muitos momentos, uma forma de reflexão, partilha, provocação a mim mesma, desafio a confrontar-me com o que sou mudando conforme é preciso… se ler, me capapulta para lugares íntimos, por vezes até secretos, escrever arruma-me por sua vez, temporariamente que seja, gavetas e prateleiras desses mesmos lugares.

Mas para que serve “arrumar” senão para situar, saber e assim poder depois remexer, remexer???

Escrever catapulta-me por sua vez.

Mais? Não sei. Mas parece inventar-me a necessidade de outra forma de saber… a minha… permite-me usar, mexer, remexer, transformar!  Mil ideias, emoções, sentimentos, vivências que se transformam. Naquilo que procuro? Ou no que por vezes pareço tardar descobrir,  para me encontrar ou me perder?

… e foi mesmo importante ter conseguido escrever sobre o Papa Francisco.

Transcrevo:

Desde a renúncia de Bento XVI que tenho estado tocada não sei porque esperança. Tinha começado a procurar compreender aquele papa, reverter a imagem física que estranhamente me desagradava e me levava a ter uma atitude contrária à que acredito… porque de facto, costumo dizer (procurando o sentido mais lato da frase) que, “quem vê caras, não vê corações”… e sentía-me muitas vezes injusta por reagir visceralmente a alguém que nem me dignava conhecer melhor (no sentido mais lato da palavra,
também).

Mas confesso que admirei a sua atitude de renúncia e secretamente dentro de mim, havia a simpatia que tinha pelo facto de tocar piano…

Depois, admirei sincera e incrivelmente a sua renúncia, inesperada e contundente… um gesto honesto e inovador… uma forma de luta possível, na aceitação de uma humanidade que lhe aparecia um pouco distante… na sua carapaça, ou na carapaça intelectualista com que o revestíamos… ou eu, o revestia, assumindo nele um sentido mais pejorativo para
“intelectual” atribuindo-lhe o sinónimo de “distante do humano” quando não deveria sê-lo (nem como padre, muito menos como papa!)

Mas agora, Francisco… o Papa Francisco e uma nova esperança… proporcionada
por gestos anteriores dos que o antecederam, mostrando que o tempo é bem mais
lento, ou necessário, para proporcionar as ocasiões e os gestos dos outros. Ou os gestos necessários! cada um a seu tempo!!!

Francisco!… na sequência de um João Paulo II que nos era tão particularmente querido… de um Bento XVI, inesperadamente lúcido e assertivo, corajoso e altruista, corajosamente humano… e agora, repito, Francisco!…, nas “sandálias do pescador”… um romance de que guardo memória, ténue da sua totalidade, mas bem viva, no significado da contestação de um papa, à vida reclusa e distante que lhe era imposta… tão contra natura do humano e mais ainda do sentido que sempre dei ao cristianismo!!!…tão longínqua da imagem do
Cristo que precisamos perto de nós… que precisamos para exemplo de humanidade e de mudança…

Francisco!… uma imagem de esperança na sequência do pedido de perdão de João Paulo II pelas atrocidades cometidas ao longo da história pela igreja… Francisco!… um sorriso, uma esperança visível!…uma renovação da imagem da fé, ou uma fé que se renova!… Alguém de quem precisamos beber sabedoria, por quem precisamos reaprender a rezar, por quem precisamos torcer, lutar…seguir!

Boa noite, Manuel. Obrigada, meu amigo.

Isabel

 

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11 respostas a “Carta” apetecida ao meu amigo Manuel, “Vicente mais ou menos…”!!! (I)

  1. Vicente diz:

    Querida Isabel,

    Que grande recomeço e que enorme satisfação e honra em ter-me brindado com este texto.
    Quando revejo no fim de cada dia, como correu e os resultados obtidos, a satisfação ou desencanto do desenrolar das horas, desde que o Papa Francisco foi eleito, aconteceram duas coisas:
    – primeiro, há uma sensação de ter um amigo bondoso e sorridente que se eu for consultar por qualquer forma de meio de comunicação, me trará paz e desviará do meu pensamento sensações de desconforto, penosidade ou sofrimento. Tem sempre qualquer episódio diário em que interveio, que revela a normalidade da vida simples de um ser humano, igual à minha e à sua ( que encanto, ter voltado atrás para convidar o Henrique Cymerman e a sua equipe da SIC, para se juntarem ao jantar – simples e discreto – porque não se tinha apercebido que tinham trazido o Rabbi e que iriam esperar até terminar a conversa e refeição entre os dois). Portanto, “sinto-me em casa”, só posso dizer que é uma sensação de relaxamento que me tira o stress! E isso é bom, muito bom!

    – segundo, mais complicado porque mais sério, ajuda-me a ensaiar a rezar e dirigir-me a um Deus que o Papa Francisco “vende” tão fantásticamente que apetece voltar a intensificar o Seu conhecimento, através do Papa Francisco.
    Esta é a grande novidade do Papa Francisco: o Deus que eu não vejo, oiço, nem sei se existe, passa de uma penada a estar representado num Papa em que eu acredito no que diz.

    Por isto tudo, e digo-o com humildade e sem vergonha, têm sido tempos de perturbação, mas com progressos copiosos de riqueza interior, num momento da minha vida em que preciso disto mesmo, e a minha gratidão é imensa.

    Eu sei o que diria o bom do meu amigo Papa Francisco, e era mesmo o que pensava: é que ele é um mero instrumento de Deus e por isso a minha gratidão deve ser dirigida ao seu Patrão.

    Querida Isabel, é tão bom termos uma espécie de cantinho feliz dentro de nós aonde, contra ventos e marés, nos possamos recolher quando aflitos?

    Pois o Papa Francisco conseguiu criar-me esse “jardim que não é secreto” porque apregoou-o com todo o entusiasmo.

    E é disto que me apeteceu falar em resposta à sua tão carinhosa e honrosa missiva, trando do Vicente como um amigo verdadeiro que ele é de si.

    Um beijo

    Manuel aka Vicente:-)

    • Querido Manuel
      Acho que neste momento não tenho muitas palavras… é interessante como diz tanto do muito que também sinto… que se esteja a passar consigo essa espécie de encanto e magia que me toca a mim também… magia como algo que não explico, me transcende, comove, surpreende, toca… e me muda…
      …magia espanto, alegria, poesia, vida!
      Surge-me assim esta necessidade de aprofundar, saber, conhecer… de tornar-me mais atenta, receptiva… e nessa sequência, mais participativa, interventiva!… Como se me sentisse assim, mais viva. Grata e VIVA!!!…
      …Daí a minha vontade, sem vergonha ou medo, de falar do Papa Francisco… a desejar falar com ele, como se me respondesse… a alimentar-me esta mudança… e a fazê-lo com a simplicidade com que em criança falava com Jesus como o meu amigo secreto!…
      Todas as crianças têm um amigo secreto, não é verdade?…
      Gostaria que a fé fosse fácil. Não é. A vida também não. Mas viver é extraordinário e temos que assumir esse extraordinário nas coisas mais simples.
      Obrigada Manuel… Sabe? Acredito em si.
      Beijinho,
      Isabel

      • Vicente diz:

        Bom dia Isabel,
        Aqui em Lisboa já está uma linda manhã e o calor promete. Obrigado pelas suas palavras.
        Grande responsabilidade a minha de acreditar em mim: espero corresponder.
        Um abraço muito amigo
        Manuel

  2. Que engraçado ouvi-los conversar! Eu não estou muito conversadora, mas apreciei escutá-los.
    Abraço para os dois.
    ZM

    • … e é com muito, muito gosto que a “vejo” por aqui… mais ainda porque me tem sido tão difícil escrever e faço-o tão raramente!…
      Quem sabe, passo a conseguir escrever um pouco mais?
      … E, embora se confesse pouco conversadora, Zilda, devo confessar-lhe que me dá imenso prazer escrever-lhe a si, também, como sabe.
      Mas por hoje, abraço bem grande, com saudades…🙂

    • Vicente diz:

      Olá Zilda,
      Pois parecemos dois pardais chilreando…a Isabel e eu. Mas pardais de cores variegadas, que isto aqui é coisa fina…ahahaah

      Manuel

  3. Bom dia Isabel
    Que bom ter passado por aqui hoje na expectativa do teu regresso…
    Que gosto ler-vos e partilhar convosco a gratidão pelo Papa Francisco. Muito obrigada Isabel e Vicente!

    • É verdade!… Soube-me tão bem!…
      Tenho que fazer mais vezes… e,… toma atenção Teresinha… um destes dias é dirigida a ti!!!🙂🙂🙂
      É tão bom escrever dirigindo-nos a alguém de forma concreta!!!
      Saudades, minha amiga!!! Muitas!!!!
      Sempre, Sempre,
      Isabel

  4. Vicente diz:

    Ó Dona Isabel, muito boa noite:-)
    Ainda leva uns dias a desligar do mode de trabalho para o de férias…mas com uma noite de temperatura agradável, já no sítio aonde está a passar estes dias de descanso, que tal olhar para o céu e ver lá uma estrelinha da sorte que lhe inspire uns quantos contos, ou poemas, ou prosa…assim a eito…sem planos de temas…mas dando um empurrão nessa vontade latente de escrever.
    Just an idea…
    Um beijinho amigo
    Vicente

    • Ó Dom Manuel “Vicente”…. nada mesmo que não seja exactamente o que me apetece… mas terei que me adaptar às marés, às luas, aos imprevistos, ao dia a dia… mas o que se sonha num início de férias!!!! Melhor mesmo: NÃO CRIAR EXPECTATIVAS!!!
      Obrigada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
      Abraço forte e amigo,
      Isabel

  5. Vicente diz:

    Olhe-me só para esta maravilha de encarar a vida quando, como ele, já se tem 88 anos e já tudo se viveu?

    Comment aimeriez-vous mourir ?

    Jeune. Mais c’est raté !

    Resposta do Jean d’Ormesson

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