“Nós somos o que fazemos…” Padre António Vieira

Por vezes temos tanto em cada um de nós… mas a maior parte do tempo deixamos escorrer entre dedos o tempo de fazer, de nos descobrirmos mais fundo, de nos permitirmos, de Sermos numa acepção mais profunda… no sentido de nos sentirmos mais realizados e menos vazios…
 
Será a nossa incapacidade (minha e de muitos, creio) de “Fluirmos”, de nos sintonizarmos com o “fluxo” de que fala a Teresa Ferreira hoje no seu blog, (http://optimismoemconstrucao.blogspot.pt/2012/09/fluir.html) de acordo com o que diz  Mihaly Csikszentmihalyi?
 
Acredito que em muitas ocasiões me sinto sintonizada com esse fluxo… e fluo, feliz, como que inteira, arrebatada, numa espécie de vivência fantástica da experiencia do uníssono: a natureza e eu… ou a vida e eu, simplesmente, sabendo o quanto a vida implica de gestos, falas, interesses, exaltações, capacidades, descobertas, outros… muitos, muitos outros e muito à nossa volta! É de facto fantástico!!!!
 
Mas reflicto um pouco mais sobre as minhas questões, essas que se me levantam aqui enquanto li o post da Teresa e enquanto mergulho um pouco mais dentro de mim e do espaço que me tem circundado de há um ano para cá…
…e mergulho ainda sobre a inquietação que me caracteriza, a minha procura… a minha insatisfação permanente.
 
De facto, sinto tanta coisa, tanta vontade de tanto, tanta necessidade de muito… e há de facto em mim muito desejo de procura e encontro… mas sinto que me perco frequentemente no caminho. Sucessivamente! Distraio-me… disperso-me!!! E desculpo-me, sem grande apaziguamento… ou culpo, zangada comigo própria, as mil solicitações que me cercam, invadem e que permito… acabando por efectivar apenas uma parte desse percurso.
 
Bloqueio talvez frequentemente esse “fluxo” (de que a Teresa fala tão oportunamente para mim e provavelmente para tantos de nós), quem sabe por falta dessa concentração necessária… dos tais objectivos mais claros e melhor definidos, do descontrole de parte das minhas acções, dispersas como ficam a maioria das vezes no cansaço e nesses mil afazeres de cada dia…
…perco-me tanto, que às vezes sinto apenas o espaço do cansaço… e sobram preocupações… e mantém-se a percepção de uma duração infinita e indevidamente rentabilizada, aproveitada de tempo e de resultados…
 
Compreendem este meu repetir constante de que tenho tanto para aprender?
 
A propósito do que senti quando li este post lembrei-me deste meu último ano.
Temi o mestrado, sim. Temi-o realmente. Achei mais uma vez que seria muito difícil começá-lo, desenvolvê-lo e acabá-lo, precisamente por muito do que já referi e sobretudo por não achar a altura adequada para o fazer, achar que podia ser mais uma fuga a outras tomadas de direcção e, sobretudo, por achar que me conheço… sendo a tendência mais pessimista que optimista muitas das vezes!!!
Sei o quanto o trabalho no Centro de Saúde me envolve e absorve… e são a maioria das energias das que tenho para distribuir nas 24 horas do dia… e sei que cada vez menos me parece sobrar espaço e capacidade para desenvolver, ainda com a energia que “gosto”, outras coisas tão importantes para mim quanto o Centro de Saúde!…
…e, confesso, tinha medo sobretudo de não aguentar física e psicologicamente toda a sobrecarga que me era exigida e que eu própria me exigi, me exijo habitualmente…
 
…mas, apesar de não ser aquilo que me parecia mais importante realizar nesta etapa da minha vida, consegui!… e posso dizer agora que tirei imenso proveito, dando realce ao que consegui aprender nas entrelinhas, porque aprendi sobre a área a que me dediquei, mas aprendi imenso também sobre a vida e este mundo de hoje cada vez mais acelerado e incrível…
… Talvez tenha conseguido muito do que consegui, porque tive (a páginas tantas…) que olhar para o que estava a fazer e estabelecer critérios e ordem na minha vida… concentrar-me no que era mesmo preciso, relevar o relevável, sobretudo angústias e inseguranças, “ses”, amanhãs… e permitir-me finalmente o necessário fluir, que só a entrega permite… e para isso foi realmente necessário “cumprir” o necessário, de acordo com objectivos, prazos… porque tive que obrigatoriamente impor-me regras, rotinas para além das já praticadas e a inerente concentração desenvolvida mesmo à força, quantas vezes…
 
Tudo isto me parecia estranho antes de experimentar, antes de o viver… parecia-me difícil de o conseguir com prazer!…
 
Assim, a percepção do que esta experiência me deu nesta etapa de vida, deveria ser um alerta… uma chamada de atenção para um despertar da atenção necessária, dirigida, desenvolvida, ou necessariamente a desenvolver!… a concentração, a definição do que efectivamente queremos… e a não dispersão inerente!…
 
Tantas vezes parecemos saber dizer aos outros, ajudar os outros, muito mais do que a nós próprios!… mas somos tão insuficientes e ineficazes para nos ajudar a nós mesmos! Mas temos que aprender a ser capazes!!!! A acreditar.
 
Com humildade, acredito que está na hora de pensar, rever, reflectir e fazer… mesmo que pouco, o possível…  e encetei até um pequeno caderno auxiliar de memória, com uma frase lindíssima do Padre António Vieira: “Nós somos o que fazemos. O que não se faz, não existe. Portanto, só existimos nos dias que fazemos. Nos dias em que não fazemos, apenas duramos.”
 
… precisamos permitir, o fluxo que possa existir em nós! Procurá-lo… senti-lo!… e Prosseguir, Fazer!!!!
 
Não quero DURAR APENAS. QUERO FAZER PARA SER… ser na acepção dessa aprendizagem contínua da vida.
 
Obrigada a todos. São tão importantes para mim estas partilhas e a reflexão que elas implicam!
Obrigada Teresa pelo post que me inspirou… quero tanto deixar-me Fluir!!!…
 
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas . ligação permanente.

7 respostas a “Nós somos o que fazemos…” Padre António Vieira

  1. O meu abraço, Isabel! Somos, sem dúvida, o que construímos!🙂

  2. Deixo-lhe, para já, o link do World Art Friends onde o meu último livro, Pequenas Utopias, está à venda http://www.worldartfriends.com/store/1535-maria-joao-brito-de-sousa-pequenas-utopias.html
    Aqui fica o link para o meu Sebo Literário – Portal CEN http://www.caestamosnos.org/sebo/M_JOAO_BRITO_DE_SOUSA/M_JOAO_B_SOUSA-SEBO-1.htm
    e aqui, para o Portal da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores http://www.avspe.org/painel.php?pg=pestat

    Beijo grande, Isabel!🙂

  3. Teresa Ferreira diz:

    Querida Isabel
    Só umas palavrinhas para te agradecer a referência e dizer-te que fiquei muito contente em ter sido a “musa inspiradora”🙂 destas tuas reflexões e desta escrita que me envolve na sua imensa intensidade. Intensidade que é tua e perpassa o que dizes e fazes. Que nos faz sentir fluir contigo nas inquietações, desafios e encantamento da vida. Muito bom existir contigo! Beijo grande
    Teresa

    • Não tens que agradecer, Teresa… e és mesmo “musa” (🙂 ) muitas vezes! Eu é que te agradeço o facto de caminhares comigo tão de perto! É uma ajuda enorme e sabe muito bem!!!!
      Beijo grande para ti
      Saudades,
      Isabel

  4. João Nuno diz:

    Obrigado, querida Isabel, por nos partilhar mensagens tão inspiradoras e cheias de alma.
    Obrigado pela brandura nos sentidos e por nos fazer acreditar em dias maiores. Um abraço forte.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s