A necessidade de contar, elogiar, denunciar… REFORMULAÇÃO

Quero pedir desculpa a quem já tenha lido este post, nomeadamente a Maria João e a Emília… mas reformulei o texto que tinha publicado à pressa.
Obrigada.
 
Lisboa, a minha cidade à pressa, em pleno Agosto.
Lisboa, volta a ser de visita nos próximos tempos.  E tenho pena.
Lisboa, onde a minha família permanece a lutar com as dificuldades inerentes ao momento, mas que ultrapassa graças à reunião de esforços de muitos, apesar das dificuldades evidentes, inerentes ao sistema.
Por isso quando falo em contar, elogiar, denunciar… reformulo.
 
Contar, deixou de me apetecer. Perdoem… Pelo menos da forma como iniciei, sob angústia e o inerente impulso que me provocou uma verborreia de que agora prescindo, para bem de todos, creio.
Não há reflexão sem tempo.
 
Elogiar, elogio. É quase um ponto de ordem para mim.
 
Habitualmente parece bem mais fácil criticar que elogiar… mas as críticas requerem, na minha opinião, madura distância e avaliação, correndo o risco, em caso contrário, de poderem ser injustas.
Humana a crítica, positiva, se construtiva, claro.
E a minha crítica remete-se como habitualmente, para o sistema… sistema que falha pela falta de tanto… desde recursos humanos, técnicos, aos problemas que avolumamos ao longo das vidas de cada um de nós.
 
Nestes momentos de crise, esses problemas avolumados assumem uma realidade, dimensão e durezas tão evidentes, a exigir resoluções que passam a parecer impossíveis ou dignas de milagres… o que não se consegue de um momento para o outro!
 
Por isso as minhas denúncias são previsíveis e já foram referidas.
 
Sobressai de toda esta “denúncia” (que passo a colocar entre aspas, por se tratar mais de constatação que denúncia propriamente dita), a coragem, o empenho, o esforço que perdura em cada um, com as suas limitações. A qualidade com que se conseguem trabalhar, “apesar de tudo”!
 
Penso no que conseguiríamos, nós portugueses, se tivéssemos as condições adequadas.
 
Sente-se a vontade, a capacidade, a qualidade, a preocupação com as questões técnicas, sem esquecer as humanas… o que constitui meio caminho andado para a cura, creio!
 
Claro que há excepções à regra… mas uma minoria que, aqui, considero imensurável e inexpressiva.
 
O saldo é positivo…  o que me alegra neste caso… e me entristece, por outro.
 
Creio que todos nós o sentimos… e é por isso que não devemos ser alheios nem indiferentes a estas constatações!
 
Importa-me neste momento, confesso, que, graças às atenções, cuidados e carinho que dedicaram à minha mãe, toda uma equipa, reduzida nesta época do ano, conseguiu um feito incalculável:
– a minha mãe perdeu o medo dos hospitais… e tece os maiores elogios a quem dela cuidou: Médicos,  enfermeiros, fisioterapeutas,  auxiliares de vários tipos,  assistentes sociais que procurámos para nos ajudarem nas questões pós alta, todos foram extraordinariamente agradáveis, pacientes e carinhosos, ajudando a retirar-lhe os receios que passou a reconhecer infundados, facilitando no futuro, creio, a permissão para outros tratamentos que lhe fazem falta.
 
É no entanto necessário saber procurar, insistir, perguntar, pedir… nem sempre fácil!…
…e compreensão da parte de quem procura, pergunta, insiste, pede… compreensão pelo pouco tempo que têm para dedicar ao que possa parecer alheio às questões técnicas básicas… compreensão e reconhecimento pelo que fazem… porque, ao reconhecer, estamos a reforçar positivamente… e a tendência é a de fazer mais e melhor quando somos reconhecidos… reconhecidos por fazermos ou procurarmos fazer, por vezes, o aparentemente impossível…
 
Passou mais uma fase difícil.
 
A minha mãe teve alta. Está melhor.
 
Há muito para fazer ainda, mas o processo está em curso e deste episódio colhe-se muito.
 
O elogio que me resta e o maior de todos, para o meu irmão. Para o meu sobrinho mais velho…
 
Não tenho palavras. Sinto-o do coração.
 
Obrigada aqui a todos os que me ajudaram num momento de ansiedade em que predominou o impulso que preciso controlar. Sei que preciso. Como preciso de tempo.
 
A minha mãe está melhor. E vai melhorar!
 
Há que ser positivo!!!
.
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10 respostas a A necessidade de contar, elogiar, denunciar… REFORMULAÇÃO

  1. Emília Pinto diz:

    Que notícia boa, Isabel! Apesar de ter perdido o medo dos hospitais e de ter sido acarinhada por todos, com certeza que a sua mãe se sentirá melhor no seu lar e isso a vai ajudar muito na recuperação. Fiquei muito feliz e deixo um beijo muito carinhoso para as duas. Voltarei para saber das novidades. Boa sorte e até breve
    Emília

    • Emília… obrigada uma vez mais. Desculpe ter reformulado o texto já depois de o ter lido e comentado…mas compreenderá que merecia que o fizesse.
      Mais tarde falaremos sobre isso.
      Um abraço enorme
      Isabel

  2. 🙂 vai melhorar, sim, Isabel!
    Abraço grande, grande!

    • Maria João… Obrigada pela sua presença… pelo seu carinho, uma vez mais. E desculpe ter reformulado o texto já depois de o ter lido e comentado. Mas publiquei-o à pressa. Creio que entende e entenderá melhor se tiver a paciencia e o tempo de o reler. Beijinho,
      Isabel

  3. Marcolino diz:

    Olá Isabel!
    Retive, com enorme alegria, «a minha mãe perdeu o medo dos hospitais… e tece os maiores elogios a quem dela cuidou». Quem, melhor do que ela, para poder fazer uma análise tão boa, uma análise tão profunda, um sentido e humano elogio, a quem dela cuidou…?! Honra lhe seja feita!
    As melhoras da sua Nãe, e um beijinho para si!
    Marcolino

    • Querido Marcolino
      … com a reunião de esforços de todos… das nossas conversas com a minha mãe, mais as conversas com os profissionais que dela cuidaram, para que soubessem deste acréscimo de problema que não adivinhavam e que tão bem compreenderam a maioria deles… e ainda com a força de vontade que a minha mãe conseguiu encontrar para “conversar consigo própria”, como costuma dizer tão bem, combatendo os “maus pensamentos” que lhe afloravam nos momentos de maior solidão… foi uma conquista sim! Para ela e para todos nós!… porque, como disse, quem sabe esta foi uma janela aberta para que, a partir daqui, se possa tratar de forma mais adequada e recuperar, não só o que a queda lhe retirou, como outros problemas que vinha acumulando e que necessita ultrapassar com ajuda. Só assim poderá readquirir a qualifdade de vida que merece. Ela… e o meu pai também!
      Temos trabalho pela frente! mas tudo se faz com tempo.
      Que Deus nos dê esse tempo e essa capacidade a todos nós.
      Abraço e obrigada pelo seu carinho.
      Sempre,
      Isabel

  4. 🙂 Está tudo a correr pelo melhor! Fico muito feliz por vós e mantenho os meus votos de rápida recuperação! Já reli o seu reformulado texto, Isabel!🙂
    Abraço grande!🙂

    • Com a minha mãe vai tudo correndo de acordo com o previsto. Um dia de cada vez. E me´lhor, também.
      O meu apoio agora é muito mais do foro psicológico. Aí tenho que intervir em grande, apesar da distância que obrigatoriamente se instala, para abrir caminho para muito do que é necessário daqui para a frente. Mas também eu preciso reflectir sobre muito do que possa estar na alma da minha mãe, dos meus pais, dos meus familiares…
      …mas não posso tudo!… e algumas coisas, como as físicas, demoram o seu tempo também!
      Uma varinha de condão poderia tirar o valor do esforço que socialmente tanto apreciamos. Mas acho que começa cada vez mais a ter menos valor esse tipo de desejo… o do reconhecimento. Im+porta o que se sente e aalma com que se faz… asim como possíveis resultados e a sua avaliação pessoal, íntima…Mas que dava jeito… e encanto também… ai isso dava!
      Beijinho
      Isabel
      PS – obrigada por ter relido o texto… espero que esteja mais acessível e compreensível depois de reformulado… como reformuladas algumas direcções!🙂
      Beijo
      Isabel

  5. Joana diz:

    Olá Isabel,

    Passei por aqui para saber como estava sua mãe e fico mesmo contente por já ter tido alta!

    Deixo aqui um beijinho, hoje mais contente por tão boa noticia🙂

    • Obrigada Joana… este fim-de-semana já parece outra. Durante a semana está a fazer fisioterapia intensiva e embora se canse muito está cheia de esperança de voltar a ter alguma autonomia. É tão importante para ela!…
      Obrigada mesmo!
      Beijinho,
      Isabel

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