“Ouvir, Falar, Amar”… Laurinda Alves esteve em Leiria!

Tenho sentido dificuldadeem vir aqui. Não sei o que se passa. Os dias vão correndo e o cansaço, chegada a hora, distrai-me o momento. Foge-me  a vontade, talvez, ou vem-me o medo… medo, ou timidez de não fazer muito sentido partilhar esta minha procura… ou esta minha vida…
…os meus encontros e desencontros de que falo aparentemente destemida, mas que me inquietam e perturbam, por vezes…
…medo de partilhar exactamente o momento… a verdade que muda, a que fica…
…medo de dar voltas e voltas e dizer o que possa não ter interesse, ou cair em redundâncias escusadas e nuas…
 
É que a vida às vezes, parece um círculo. Damos essas voltas e voltas… e em certas alturas parecemos estar, como tememos, a não sair do mesmo sítio!…
…e vem-me nessas alturas, um vazio, uma tristeza, ou uma sensação de rotina que afinal não sinto, mesmo que por vezes me queixe!
 
Sei que não é verdade. Roçamos o parecido, mas a experiência é outra, e outra e outra… e o sentimento que a acompanha, também… e nós, nunca exactamente os mesmos!
 
Para mim, isto faz sentido e posso escrever para mim mesma, nessa necessidade de reflexão escrita, ou de guardar de alguma forma o que vou vivendo…
É que o que escrevo vem de dentro… e no dia a dia,  a multiplicidade de coisas que se acumulam nesta experiência de vida, parecem todas tão grandes  e ao mesmo tempo tão intimas e pequenas que receio ser um exagero partilhá-las sem mais nem menos.
 
Houve uma particularmente importante que me aconteceu esta passada semana .
Pensei e desejei tanto escrevê-la, mais que não fosse em forma de agradecimento… e lembrei-me que, mais uma vez, parecia que me repetia… sendo precisamente o post anterior “Agradeço…” e tão sentido… quando para mim é sempre novo este estado de agradecimento… e verdadeiro e sentido e inteiro e imenso…
 
Veio a Leiria a Laurinda Alves à Livraria Arquivo, para partilhar connosco o lançamento, do seu último livro “OUVIR, FALAR, AMAR”…
…Não podia deixar de ir. Tinha que lá estar! Era tão, tão importante, para mim!…
A Laurinda representa imenso na minha vida.
Acompanhou-me e ajudou-me de uma forma extraordinária, numa fase particularmente difícil… a década vivida entre os quarenta e os cinquenta!
Se conseguir hei-de tentar falar um pouco de como se entrelaçou essa presença da Laurinda na minha vida… e é a isso que chamo agradecimento efectivo e direccionado, porque merecido. Num próximo post. Mas hoje, não resisto a dizer aqui o quanto gostei da Quinta-Feira passada…
 
…Gostei da forma como falou do livro e de si própria… do Padre Alberto Brito que, segundo nos conta, tanto a ajudou também…
…e é impressionante como nos tocam as suas palavras sentidas, fruto da reflexão em que mergulha de forma simples e da ajuda recebida que partilha…
 
… o saber efectivo provém da experiência vivida e do que se faz com a alma e coração, de forma simples mas envolvida, interessada e inteira!
 
Fiquei no final da “apresentação, “um pouco “zangada comigo”:
Na sequência do muito que tinha sido dito e da reflexão da leitura do livro, a imagem da “garrafa rotulada”
…no rótulo, o termo “que estupidez…”
 
E foi isso que efectivamente disse a mim mesma quando a sessão terminou, de forma mais abrupta do que pareceria, porque afinal desejava ficar ali horas e horas… porque, quando terminou, quase sem dar conta, ainda sentia que se estava só a aquecer o momento…
 
… e, caramba,  não tive coragem ou capacidade para dizer nada!
 
Acho que me limitei a seguir com o olhar e o coração, as expressões da Laurinda e o que dizia…
… e depois… “que estupidez”… o tempo passou e não disse o que queria…
…o agradeciomento público da importância que a Laurinda tinha na minha vida… o que representava…!
 
… eu sei que ela sabia! Que sabe desde há muito tempo!…
…Mas queria dizê-lo aos outros também. Dizê-lo alto,  com eloquência se possível, aquela que a Laurinda merece, mesmo que dizê-lo possa parecer infantil ou até inútil, face a um público que a conhece e sente por cetrto o mesmo que eu.
… mas, só porque achava que ela merecia esta forma de aplauso, apetecia-me e queria ter tido palavras que saltassem do coração para as palmas das mãos… palavras que cantassem entusiasmadas, tanto do que me tinha feito crescer, descobrir, aprender, caminhar…
 
Não sou pessoa de ter ídolos.
Não aprecio particularmente a palavra “fã”
…mais, sempre temi pedir autógrafos, pelo incómodo que pensava causar a quem os escrevia
 
A Laurinda foi há uns bons anos atrás, a primeira pessoa a quem pedi um autógrafo… só pela particularidade da intimidade e empatia que sentia e o percurso que tinha feito na sua companhia, mesmo que ela não o soubesse!
 
Assim, “que estupidez , passou a hora…
e disse-lho depois, já em privado, o que ela afinal já sabia…
 
…e, como sempre, na sua atitude compreensiva, aceitou as minhas desculpas e rimos destas nossas imperfeições humanas, ou das nossas condicionantes que se prendem tantas vezes com este receio de abrir a nossa privacidade, os nossos sentimentos mais profundos, a nossa intimidade!
 
Repito:
Tenho sentido dificuldade em vir aqui. Não sei o que se passa. Os dias vão correndo e  o cansaço, chegada a hora, distrai-me o momento. Foge-me  a vontade, talvez, ou vem-me o medo… medo, ou timidez de não fazer muito sentido partilhar esta minha procura… ou esta minha vida… a minha intimidade… os meus encontros e desencontros, de que falo aparentemente destemida, mas que me inquietam e perturbam, tantas vezes…
…medo de partilhar exactamente o momento… a verdade que muda, a que fica…
…medo de dar voltas e voltas e dizer o que possa não ter interesse, ou cair em redundâncias escusadas e nuas…
 
Mas hoje, mais uma vez, porque cedi ao rompão que me caracteriza nesta vontade de escrever e de quebrar as minhas próprias barreiras, de partilhar parte da  minha intimidade, mesmo que me provoque medo… porque não?, consegui!
.
Obrigada, Laurinda !!!!!!!!!!!!!!!!! 
.
PS – desculpem a trapalhada da mistura de cores. Passa-se algo com o meu computador que não consigo dar volta… terá de ficar para amanhã, ou para mais logo… mas agora, de rompão, vai assim mesmo. Interessa a intenção!
.
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16 respostas a “Ouvir, Falar, Amar”… Laurinda Alves esteve em Leiria!

  1. 🙂 ! Ainda bem que escreveu este post e “o momento lhe não escapou”.
    Não conheço a Laurinda Alves pessoalmente mas sei o que é perder a oportunidade de falar de qualquer coisa em público… de agradecer, de fazer uma queixa, de dar uma opinião… seja lá o que for, também me têm “escapado momentos” ao longo da vida… e tem toda a razão; cada momento é único e vem como que renovado por uma infinitude de variáveis que nunca serão as mesmas do momento anterior, daquele que nos parecia tão parecido que nos fez recear a repetição.
    Abraço grande!🙂

    • … muitas vezes sinto-me zangada com o que deixo por fazer ou dizer…
      Com o tempo, tenho aprendido a perdoar-me…
      … sobretudo, porque em nós habita um mundo enorme que se quer soltar e que aprisionamos no tempo, nos afazeres, nas obrigações…
      … ainda bem que escrevi, sim. A Laurinda merece… merecia a procura das palavras pelos muitos momentos de descoberta e conquistas pessoais que memso sem saber, me proporcionou. Deixei ficar muitos deles sucessivamente no reino das emoções, reais, profundas, mas por traduzir.
      Receei que se esfumassem?
      Não. As emoções são mais perenes do que julgamos e mais reais que muitas palavras… mas aquele momento pedia que dissesse… e por isso fiquei zangada. Mas já passou, poeta…
      … apenas reconheço que estou a falhar com a palavra, nesta minha intermitência que por vezes me desagrega e de que acabo por preferiri não falar agora.
      “Cada momento é único”… e por isso merece que se diga… e que não se deixe, se possível, para amanhã.
      Obrigada Maria João…
      Abraço apertado
      Isabel

  2. Vicente diz:

    Estou tonto,
    Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
    Ou de ambas as coisas.
    O que sei é que estou tonto
    E não sei bem se me devo levantar da cadeira
    Ou como me levantar dela.
    Fiquemos nisto: estou tonto.

    Afinal
    Que vida fiz eu da vida?
    Nada.
    Tudo interstícios,
    Tudo aproximações,
    Tudo função do irregular e do absurdo,
    Tudo nada.
    É por isso que estou tonto …

    Agora
    Todas as manhãs me levanto
    Tonto … Sim, verdadeiramente tonto…
    Sem saber em mim e meu nome,
    Sem saber onde estou,
    Sem saber o que fui,
    Sem saber nada.

    Mas se isto é assim, é assim.
    Deixo-me estar na cadeira,
    Estou tonto.
    Bem, estou tonto.
    Fico sentado
    E tonto,
    Sim, tonto,
    Tonto…
    Tonto

    Álvaro de Campos

    • Tantas vezes tonta também, entre esta coisa de ser como se é e como se pensa ser…
      …ás vezes vale a pena deixar estar, sentir como se não se soubesse nada… sentir apenas.
      Beijinho, Manuel
      obrigada
      Isabel

      • Vicente diz:

        Sim, sei bem
        Que nunca serei alguém.
        Sei de sobra
        Que nunca terei uma obra.
        Sei, enfim,
        Que nunca saberei de mim.
        Sim, mas agora,
        Enquanto dura esta hora,
        Este luar, estes ramos,
        Esta paz em que estamos,
        Deixem-me crer
        O que nunca poderei ser.

        Fernando Pessoa

      • … lá da sua “arca”, como diz a Zilda…

        …que bom ter aqui “Pessoa” sempre atento e a propósito… tão poeta e tão humano!!!!!!!!!!

        que bom tê-lo aqui, “Vicente”, inteiro e não “mais ou menos”…
        é que, “a sério”, gosto muito de si!!!!!!!!!!!
        Isabel

  3. Emília Pinto diz:

    Entendo esse medo de partilha do que nos vai na alma, medo de que não nos compreendam, medo do ridículo, medo, sei lá… de tantas coisas. Por outro lado, Isabel é essa partilha que tanto nos enriquece e que faz com que os blogs sejam interessantes; sem nos apercebermos, ajudamos alguém ao partilhar os nossos sentimentos, as nossas experiências, os desafios das nossas vidas. Não tem que ter medo, Isabel…os seus posts são sempre tão ricos, tão bem escritos que só tem que se orgulhar daquilo que deixa aqui no seu cantinho. Fala com o coração e isso é muito importante e penso que o é para todos os que a visitam e não só para mim. Continue, Isabel, sem medos: quem vem aqui e comenta é porque gosta e porque é amigo, por isso não há do que ter receio. Venha sempre que puder…pelo menos a mim, faz-me muita falta. Um beijinho e tenha uma boa semana
    Emília

    • Obrigada, Emília. Para mim é mesmo importante o que sai do coração e da alma… mas nem semnpre o faço com à vontade neste espaço… o que é normal também. A gestão adequada do que possa sair, surgirá com o tempo… e aada decisão também.
      Mas é muito bom sentir os “amigos” aqui… porque aqcabo por lembrar-me sempre da frase do valter hugo mãe ” é muito incrível escrever-se efectivamente para alguém”.
      Um abraço bem apertado
      Sempre,
      Isabel

  4. Fernanda Matias diz:

    Olá Isabel

    Escreva sempre de si para nós, mesmo sem nos conhecermos uns aos outros. Este ” seu “cantinho”interpela-nos, alegra-nos, faz-nos pensar em tantas coisas……. porqie a Isabel o faz de coração aberto. Guarde para si o que entender, mas não nos deixe sem si.

    Um grande abraço

    Fernanda Matias

  5. João Nuno diz:

    Querida Isabel,
    são de mel as suas palavras.
    Compreendo bem as suas frases que justificam a ausência pelo blogue. Aliás, acho que todos nos identificamos um pouco com esta falta de tempo diabólica que cresce a metro e que, infelizmente, nos faz esmorecer em alguns momentos.
    Serei sempre pouco parcial a escrever sobre a Laurinda. Pelo facto de gostar da sua forma de ser e de estar e por acreditar piamente que o mundo seria mais belo se cada um de nós conseguisse desmontar, com tanta harmonia, as pequenas / grandes coisas da vida.
    Sabe a essência dourada a certeza de que, felizmente, todos, ou quase todos, nos cruzamos em algumas coisas. E é de um orgulho desmedido que sinto a Isabel presente e como amiga, com a certeza de que assim os meus dias também são mais bonitos. É que a amizade comove-me a alegria e brota ternura…
    Um beijinho, João Nuno

  6. Vicente diz:

    Olá Isabel,

    Que querida, agradeço-lhe muito desvanecido e retribuo-lhe a mesma amizade:-)

    Hoje deixo-lhe este belo trecho de um autor brasileiro que tenho vindo a conhecer nas minhas deambulações pelo Brasil.

    Eu acho que se aplica a cada um de nós…

    “Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você…

    A idade vai chegando e, com o passar do tempo, as nossas prioridades na vida vão mudando…

    A vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar…

    Mas uma coisa parece estar sempre presente… A busca pela felicidade, com o amor da sua vida.

    Desde pequenas ficamos nos perguntando “quando será que vai chegar?” E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida “será que é ele?”.

    Como diz meu pai: “nessa idade tudo é definitivo”, pelo menos a gente sempre achava que era.

    Cada namorado era o novo homem da sua vida.

    Fazíamos planos, escolhíamos o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente…
    PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativas a respeito “do próximo”.

    Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses.

    Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva.

    Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.

    Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue “imagem e ação” e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando você está de short,camiseta e chinelo.

    A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação, já não tem o mesmo valor que tinha antes.

    A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal,que nos complete, e vice-versa.

    Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta… E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira.

    Sem falar na diversidade, que vai do Forró ao Beatles.

    Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som…

    Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.

    Com o tempo, voce vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

    Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama), e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.

    Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

    O segredo é não correr atrás das borboletas… é cuidar do jardim para que elas venham até você.

    No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você! ”

    Mário Quintana

  7. Cátia diz:

    Olá Enf.Isabel,
    Não podia deixar de lhe contar o que me aconteceu esta semana na Biblioteca Municipal de Leiria. Fui lá buscar uns livros para ler estes dias e deparo-me com um livro na zona dos destaques que me chamou a atenção pelo nome da sua autora…
    Nunca tinha visto nenhum livro da Laurinda Alves mas este apareceu-me assim como de propósito, pedindo que eu o lê-se! E assim o fiz, trouxe “As coisas da vida” e li de uma sentada!
    Há umas semanas atrás esse livro tinha passado despercebido por mim mas após os seus elogias ao trabalho desta autora, e tinha mesmo de lê-lo! Digo-lhe que adorei a simplicidade e a franqueza das palavras! Foi sem dúvida uma mais valia! Agradeço-lhe por me ter dado a conhecer a Laurinda!
    Um beijinho🙂

    • oh, Cátia, que bom!…🙂 Fico tão contente!… Achei mesmo que gostarias de ler a Laurinda… epodes também experimentar este último, embora tenha caracteristicas diferentes.
      Obrigada pelo teu entusiasmo! É contagiante!
      Continua.
      Beijinhos e saudades
      Sempre
      Isabel

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