Metáfora

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Remeto-me ao silêncio.
À minha volta as paredes e pessoas sonhadas.
Invariavelmente sonhos. Os outros. A minha vontade dos outros.
Na realidade surge a distância.
Invariavelmente, a distância
e o vazio de uma solidão supostamente assumida, sem penas.
 
O entusiasmo enche-me a alma. Solta-me verdades, desejos.
Invariavelmente o lado bom, expansivo e crente…
Invariavelmente a surpresa,
complexidade humana, acima da minha própria.
 
Descentro-me do meu umbigo.
Gradual. Muito gradualmente.
O tempo adquire novas dimensões, novo tempo.
Novos sabores e cores acordam. Brotam sensações. Muda-se o ritmo.
 
O grão de areia ampulhetado ultrapassa a prisão transparente.
Molécula brilhante de sílica, transponho a prisão extemporânea.
Escorre a imagem em cascata, liberta.
A metamorfose instala-se.
 
E de todos os lados há dores que afloram, ressaltam,
nem sempre esperadas, toleradas.
Humanizam-se os intocáveis.
Desmistificam-se mitos,
Artífices caem nas suas próprias teias.
Remeto-me a um silêncio calado que não sei.
 
Espectadora do silêncio, mergulho no pensamento
melodia ou ruído.
Dói a distância dos outros, a distância de nós
Dói a descoberta dos outros, a descoberta de nós
Emerge silenciosa a metáfora em metamorfose
A sílica condensada da minha cascata.
.
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2 respostas a Metáfora

  1. Este é um belíssimo poema, Isabel! Um poema muito bom não é necessariamente rimado!
    A Poesia é um “género literário” – esta ideia é só minha🙂 – muito amplo e libertador. Eu também escrevo poesia não-rimada no http://liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt/ , muito embora, em grande quantidade, só consiga produzir soneto em decassílabo heróico… mas nunca sei porque é que isto se passa comigo🙂 Só me apaixonei pelo soneto em 2007!
    Um abraço grande!
    PS – A minha poesia não-rimada não é tão doce quanto a sua… parece-me que já perdi alguma da minha doçura inicial…🙂

    • Querida Poeta… fico feliz pelo que me diz. Gosto e sinto necessidade da poesia… muito mais do que possa calcular.
      Agradeço o seu comentário. É para mim um reforço e também, de certa forma, uma orientação que me ajuda a perceber se o que escrevo em verso faz sentido para os outros. Irei procurar ler a sua “outra” forma de poesia… e por certo aprender bastante mais.
      Obrigada por estar aí.
      Fico contente que esteja tudo a correr-lhe melhor.
      Beijinho amigo
      Isabel

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