Reconstruir

Este fim-de-semana, a estrear férias, estive num hotel rural na Quinta dos Medronheiros, a poucos quilómetros de Viseu.
Gosto de apreciar os espaços naturais, selvagens e, se possível, puros.
Mas gosto também, muito, de apreciar os espaços transformados pelo homem, sobretudo se essa transformação tiver como resultado algo equilibrado, harmonioso e integrado na paisagem natural de cada região.
 
Dar atenção, recuperar, reinterpretar e construir sobre o que possa parecer destruído e sem recuperação é um trabalho exigente, imaginativo e que envolve entrega, crença, empenho e muito esforço.
Primeiro é preciso ter olhos para ver para além do que é visível. Olhos de futuro.
Depois, arregaçar mangas, limpar sem medo.
Em seguida, reconstruir. Respeitando e mantendo raízes, traça, sentido, personalidade, atribuindo-lhes actualidade.
 
Faz-se nas casas, espaços, quintas destruídas… lugares que transpiram abandonos, desistências, medos, fugas, impotências, perdas mil… somas de problemas que não temos direito de julgar…
 
E faz-se na vida. A de cada um de nós, precisamente quando decidimos seguir em frente voltando atrás, com coragem, sempre que a destruição, eminente ou sentida como real, possa ensombrar o futuro e alimentar o desejo de abandono e desistência.
 
Reconstruir – construir sobre o existente.
 
Com o olhar aceso, a escuta activa, os sentidos alerta e a alma aberta, surgem novos lugares, novos espaços, novas oportunidades.
Com eles e neles, um novo conhecimento. Uma nova aposta. Uma maturidade crescente.
 
 
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2 respostas a Reconstruir

  1. Na Aldeia

    Duas horas da tarde. Um sol ardente
    nos colmos dardejando e nos eirados.
    Sobreleva aos sussurros abafados
    o grito das bigornas estridente.

    A taberna é vazia; mansamente
    treme o loureiro nos umbrais pintados;
    zumbem à porta insectos variegados,
    envolvidos do sol na luz tremente.

    Fia à soleira uma velhinha: o filho
    no céu mal acordou da aurora o brilho
    saiu para os cansaços da lavoura.

    A nora lava na ribeira, e os netos
    ao longe correm seminus, inquietos,
    no mar ondeante da seara loura.

    Gonçalves Crespo

    • e se agora tivesse o tempo necessário para encontrar, também para si, as palavras mais adequadas…
      que bonito, Manuel… que bonito poema, tão próximo da terra e das gentes que habitam nela.
      Obrigada

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